Hoje vamos retomar algumas características da poesia helenística e fazer mais algumas análises em relação a ela. Bom, o inventor desse gênero, foi Arquíloco, tomado pela raiva quando Licambes rompeu o trato em que daria a mão de sua filha em casamento. Hipônax se assemelha a Arquíloco uma vez que também faz uma poesia tomado pela raiva, quando Búpalo vai contra sua vontade, e o retrata em uma escultura, apesar de ser muito feio. Bom, então, os dois se assemelham por fazer poesia agressiva, com intuito da morte do adversário. Arquíloco, porém, faz a poesia contra um homem comum, um pai de família; e Hipônax faz uma poesia contra um escultor, um fazedor de arte...ele critica a arte. Vemos então uma ideia metapoética, já que a arte fala da arte.
Por esse motivo, Hipônax é caro aos helenísticos: eles se enxergam em hipônax, o vêem como um helenístico antes do tempo deles. Ele, portanto, é o modelo iâmbico no helenismo. Tanto que Hipônax é classificado como um poeta "bebedor de água", um poeta que não precisa da inspiração das Musas, que está são enquanto compõe e é hábil, tem a técnica; diferente de Arquíloco, Homero, que são vistos como "poetas bebedores de vinho", trazendo a ideia de que estão fora de si, que a Musa é a inspiradora. Além disso, Hipônax é o inventor da paródia, que também é cara para essa época. A paródia traz uma ideia de rebaixamento, e que exatamente o que os helenisticos fizeram com a poesia épica: acrescentaram temas como o amor, para fazer a poesia se tornar mais leve. Calímaco era um poeta helenístico, e uma de suas frases foi "um grande livro é um grande mal", que traz não só uma forte característica dessa época que é a composição, a organização do poema em livro (em vez da recitação), mas também traz a ideia de que algo muito extenso, muito longo, que leva tempo demais para ler, não é bom, é exagerado; tanto que é conhecido por seus epigramas, por xemplo o tumular, que se caracteriza pela brevidade. Calímaco, por fazer parte do helenismo, toma Hipônax como modelo principal. Porém, é possível perceber que, em seus iâmbos ele faz uma mistura de diversos poetas, usa fábulas, que são característica marcante de Arquíloco. Isso porque, isso faz parte da poesia de seu período, essa mistura de gêneros, de poetas, evidenciando o conhecimento. Na própria Eneida, canto IV, há uma mistura muito forte de gêneros: lírico, épico, trágico, epigramático. No primeiro canto de Calímaco, é contada a estória dos sete sábios, já apresentada por Hipônax. Porém, ele não usa os mesmos sábios que Hipônax. Ele usa outra versão, mais desconhecida, para mostrar sua erudição, que também é muito forte no helenismo (poetas doutos).
Portanto, Calímaco é um poeta helenístico que possui características bem marcantes de sua época, com apresentação de erudição, mistura de gêneros (polyeideia) e brevidade. E Hipônax, mesmo não fazendo parte do período helenístico, era muito caro por eles, já que foi tido como um "helenístico adiantado" porque também fazia uso de paródia, ou seja, rebaixava gêneros mais elevados, ou até mesmo pessoas, não invocava a Musa...era hábil, tinha técnica. E Arquíloco, apesar de ter sido o inventor do gênero iâmbico, não apresentava tantas características em comum com o helenismo.
terça-feira, 21 de maio de 2013
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Iâmbica
T1) "Segurai meu manto, vou socar o olho de Búpalo,
pois sou ambidestro, e ao socar, não erro."
comentário: de novo, Búpalo aparece. Aqui é mais um trechinho mesmo... Hipônax quer dizer que não adianta Búpalo fugir, que se ele fugir da mão direita/esquerda, ele bate com a outra, não tem problema.
T2) "Por Zeus, se um de nós tivesse acertado suas mandíbulas duas ou
três vezes, elas teriam perdido a voz, como Búpalo."
comentário: Esse trechinho faz parte da Lisístrata, em que está acontecendo uma guerra, e as mulheres já estão fartas, então resolvem fazer greve de sexo. E assim fica. Quando os homens voltam pra casa, em determinado período de tempo, elas dizem que não farão nada enquanto a guerra não cessar. E aí tem a citação de Hipônax com o soco em Búpalo, dizendo que se um deles tivesse atacado uma das mulheres como Hipônax fez com o escultor, as mulheres logo desistiram dessa ideia.
T3) "Narra-me, Musa, o mar-Caribde, a faca no estômago
de Eurimedontíades, que come sem ordem,
para que sofra funesto infortúnio por funesto voto,
por vontade popular, ao longo do litoral do mar estéril"
comentário: Esses versos foram escritos em hexâmetro datílico, que é o verso usado pra cantar os heróis, os grandes feitos. É o verso típico da epopeia (gênero elevado). Hipônax, é considerado o inventor da paródia, porque aqui, ele faz uma alusão à Odisseia quando diz "Narra-me Musa..." já que é assim que a epopeia começa. Só que ele não usa essas palavras para cantar um feito heroico, e sim pra cantar um comilão. É como se ele rebaixasse o metro, e o gênero épico nesses versos, fazendo essa paródia. Ele diz que o homem é tão voraz ao comer, que parece que possui facas no estômago, porque destroi a comida, da mesma forma que o mar Caribde destroi os barcos.
T4) "Aqui jaz o feitor-de-poema Hipônax.
Se és maligno, não venhas à tumba dele;
se contudo, és correto e de honesta origem,
com coragem te senta, querendo, dorme."
comentário: esse é um epigrama tumular, feito por Teócrito. Sabe aquelas palavras que se escreve no túmulo, do tipo "Aqui jaz (alguém), pai amoroso e marido dedicado"? É isso. O epigrama é um poema feito geralmente em dístico elegíaco. Porém, Hipônax inventou um metro próprio, o coliambo. Então, esse epigrama foi feito nesse tipo de metro, como uma homenagem. Acho muito interessante, porque traz a ideia de que no túmulo de Hipônax havia muitas vespas (lembra que o poeta iâmbico era relacionado com o cachorro, mas com a vespa também, porque ela machuca, etc?) e que se alguém vicioso se aproximasse, seria ferido por elas. É como se o poeta continuasse julgando e castigando aqueles que são viciosos, mesmo depois de morto.
pois sou ambidestro, e ao socar, não erro."
comentário: de novo, Búpalo aparece. Aqui é mais um trechinho mesmo... Hipônax quer dizer que não adianta Búpalo fugir, que se ele fugir da mão direita/esquerda, ele bate com a outra, não tem problema.
T2) "Por Zeus, se um de nós tivesse acertado suas mandíbulas duas ou
três vezes, elas teriam perdido a voz, como Búpalo."
comentário: Esse trechinho faz parte da Lisístrata, em que está acontecendo uma guerra, e as mulheres já estão fartas, então resolvem fazer greve de sexo. E assim fica. Quando os homens voltam pra casa, em determinado período de tempo, elas dizem que não farão nada enquanto a guerra não cessar. E aí tem a citação de Hipônax com o soco em Búpalo, dizendo que se um deles tivesse atacado uma das mulheres como Hipônax fez com o escultor, as mulheres logo desistiram dessa ideia.
T3) "Narra-me, Musa, o mar-Caribde, a faca no estômago
de Eurimedontíades, que come sem ordem,
para que sofra funesto infortúnio por funesto voto,
por vontade popular, ao longo do litoral do mar estéril"
comentário: Esses versos foram escritos em hexâmetro datílico, que é o verso usado pra cantar os heróis, os grandes feitos. É o verso típico da epopeia (gênero elevado). Hipônax, é considerado o inventor da paródia, porque aqui, ele faz uma alusão à Odisseia quando diz "Narra-me Musa..." já que é assim que a epopeia começa. Só que ele não usa essas palavras para cantar um feito heroico, e sim pra cantar um comilão. É como se ele rebaixasse o metro, e o gênero épico nesses versos, fazendo essa paródia. Ele diz que o homem é tão voraz ao comer, que parece que possui facas no estômago, porque destroi a comida, da mesma forma que o mar Caribde destroi os barcos.
T4) "Aqui jaz o feitor-de-poema Hipônax.
Se és maligno, não venhas à tumba dele;
se contudo, és correto e de honesta origem,
com coragem te senta, querendo, dorme."
comentário: esse é um epigrama tumular, feito por Teócrito. Sabe aquelas palavras que se escreve no túmulo, do tipo "Aqui jaz (alguém), pai amoroso e marido dedicado"? É isso. O epigrama é um poema feito geralmente em dístico elegíaco. Porém, Hipônax inventou um metro próprio, o coliambo. Então, esse epigrama foi feito nesse tipo de metro, como uma homenagem. Acho muito interessante, porque traz a ideia de que no túmulo de Hipônax havia muitas vespas (lembra que o poeta iâmbico era relacionado com o cachorro, mas com a vespa também, porque ela machuca, etc?) e que se alguém vicioso se aproximasse, seria ferido por elas. É como se o poeta continuasse julgando e castigando aqueles que são viciosos, mesmo depois de morto.
Iâmbica
Agora sim vamos entrar mais fundo na poesia iâmbica.
T1) "E falava cem lídio: 'venha até aqui
E como convém a um pederasta na bunda um ferrolho enfia'
e o meu saco
com um ramo de figueira golpeou, como a um pharmakós
em dois bastões
em sofrimentos redobrados
o ramo de figueira que do outro lado me raspava"
comentário: Bom, aqui, temos um ritual feito a um pharmakós. O que é isso? O pharmakós é como se fosse "a pessoa mais viciosa da comunidade", a pessoa mais indesejada e tudo mais. Então, ele teve um ferrolho enfiado no ânus, teve o pênis golpeado por ramo de figueira, depois mais um ferrolho foi introduzido no ânus. Porque para eles, o pharmakós deveria sofrer por cometer tantos vícios.
T2) "Erótia trouxe um pênis ereto de couro, que ela, logo que lambuzou com azeite, um pouco de pimenta e semente triturada de urtiga, lentamente introduziu em meu ânus.
Depois, a crudelíssima velha cobriu minhas coxas com esse líquido [...]
Ela misturou suco de mastruz com absinto e, depois de verter essa mistura sobre meus órgãos genitais, apanhou um feixe de urtiga verde e castigou vagarosamente todas as partes do umbigo para baixo"
comentário: não sei se é necessário falar sobre o tema sexual, já que está explícito, nem sei se é necessário falar algo, mas tudo bem. Esse ritual (acredite se quiser), é para recuperar a virilidade. Acho que só isso era necessário comentar...dá pra perceber a violência desse ritual, ele mesmo diz que ela "castigou as partes do umbigo pra baixo". É isso então.
T3) "Pela onda extravidado
e em Salmidesso, nu,
na mais negra noite os trácios tufocomados
o peguem e aí se farte de muitos males
o pão escravo comendo
hirto e frio e do fluxo marinho
muitas algas lhe escorram
lhe batam os dentes como um cão sobre a boca
caído e extenuado
à beira d'agua vomitando a onda.
Isso eu queria ver,
que ele me ofendeu, aos pés calcou as juras,
ele que antes era amigo"
comentário: Aqui, vemos aquela raiva feroz que já vimos antes, lembra? Aquela mesma raiva de Dido por Enéias, que faz a pessoa fazer uma imprecação (jogar uma praga). Esse poema é feito pra um amigo que rompeu um juramento. A pessoa está desejando que não só ele naufrague...mas que naufrague numa noite escura, para não ver nada, sentir medo, e quer que esteja nu. Quer se seja feito de escravo, e que engula muita água, e quando chegar à praia, vomite toda água que engoliu.
T1) "E falava cem lídio: 'venha até aqui
E como convém a um pederasta na bunda um ferrolho enfia'
e o meu saco
com um ramo de figueira golpeou, como a um pharmakós
em dois bastões
em sofrimentos redobrados
o ramo de figueira que do outro lado me raspava"
comentário: Bom, aqui, temos um ritual feito a um pharmakós. O que é isso? O pharmakós é como se fosse "a pessoa mais viciosa da comunidade", a pessoa mais indesejada e tudo mais. Então, ele teve um ferrolho enfiado no ânus, teve o pênis golpeado por ramo de figueira, depois mais um ferrolho foi introduzido no ânus. Porque para eles, o pharmakós deveria sofrer por cometer tantos vícios.
T2) "Erótia trouxe um pênis ereto de couro, que ela, logo que lambuzou com azeite, um pouco de pimenta e semente triturada de urtiga, lentamente introduziu em meu ânus.
Depois, a crudelíssima velha cobriu minhas coxas com esse líquido [...]
Ela misturou suco de mastruz com absinto e, depois de verter essa mistura sobre meus órgãos genitais, apanhou um feixe de urtiga verde e castigou vagarosamente todas as partes do umbigo para baixo"
comentário: não sei se é necessário falar sobre o tema sexual, já que está explícito, nem sei se é necessário falar algo, mas tudo bem. Esse ritual (acredite se quiser), é para recuperar a virilidade. Acho que só isso era necessário comentar...dá pra perceber a violência desse ritual, ele mesmo diz que ela "castigou as partes do umbigo pra baixo". É isso então.
T3) "Pela onda extravidado
e em Salmidesso, nu,
na mais negra noite os trácios tufocomados
o peguem e aí se farte de muitos males
o pão escravo comendo
hirto e frio e do fluxo marinho
muitas algas lhe escorram
lhe batam os dentes como um cão sobre a boca
caído e extenuado
à beira d'agua vomitando a onda.
Isso eu queria ver,
que ele me ofendeu, aos pés calcou as juras,
ele que antes era amigo"
comentário: Aqui, vemos aquela raiva feroz que já vimos antes, lembra? Aquela mesma raiva de Dido por Enéias, que faz a pessoa fazer uma imprecação (jogar uma praga). Esse poema é feito pra um amigo que rompeu um juramento. A pessoa está desejando que não só ele naufrague...mas que naufrague numa noite escura, para não ver nada, sentir medo, e quer que esteja nu. Quer se seja feito de escravo, e que engula muita água, e quando chegar à praia, vomite toda água que engoliu.
Algumas abordagens do Estudo Analítico do poema, de Antonio Candido
a poesia não
necessariamente precisa ser feita em versos metrificados. Pode haver poesia em
verso livre, poesia em prosa. A eficácia poética é devida à sua tradução em um sistema adequado de palavras que dêem a impressão de experiência, de algo vivido, sentido, e não de um raciocínio. Olhe esse soneto de Antero de Quental:
Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento;
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia.
Atravesso, no escuro, a névoa fria
Dum mundo estranho, que povoa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
Só das visões da noite se confia.
Que místicos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem
A meus olhos na muda imensidade!
Nesta viagem pelo ermo espaço
Só busco o teu encontro e o teu abraço,
Morte! Irmã do Amor e da Verdade!
O poeta traduziu como se fosse uma experiência captada e vivida no plano dos sentidos. O pensamento se transpôs em experiência, se traduziu em palavras que exprimem uma forte capacidade de visualizar, ouvir, imaginar. Quando
Se interna meu dorido pensamento;
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia.
Atravesso, no escuro, a névoa fria
Dum mundo estranho, que povoa o vento,
E meu queixoso e incerto sentimento
Só das visões da noite se confia.
Que místicos desejos me enlouquecem?
Do Nirvana os abismos aparecem
A meus olhos na muda imensidade!
Nesta viagem pelo ermo espaço
Só busco o teu encontro e o teu abraço,
Morte! Irmã do Amor e da Verdade!
O poeta traduziu como se fosse uma experiência captada e vivida no plano dos sentidos. O pensamento se transpôs em experiência, se traduziu em palavras que exprimem uma forte capacidade de visualizar, ouvir, imaginar. Quando
O comentário
sobre um poema consiste em esclarecer os elementos necessários para o entendimento
do poema, é como uma tradução. Para fazer a interpretação é importante que não
sejam emprestadas à obra ideias pessoais, sentimentos, ou qualquer outra coisa
da sua sugestão. É preciso extrair o que está contido na obra. A análise
consiste em que abranger dados históricos, filológicos, fonéticos, semânticos,
chegando ao pormenor das minúcias.
A sonoridade
do poema pode ser muito perceptível, ou discreta a ponto de nem ser notada. Será
que existem sons que nos remetem determinadas sensações? Vamos supor... se eu
apresentar esses dois versos:
Por que tardas, Jatir, que tanto a
custo
À voz do meu amor moves teus passos?
(Gonçalves Dias)
À voz do meu amor moves teus passos?
(Gonçalves Dias)
Perceba a
aliteração, o uso frequente da consoante T.
Teria o T um valor expressivo de frear, demorar, retardar contribuindo
assim para a composição do poema? Leia os versos em voz alta, e veja como ao
pronunciar essa consoante, a língua encosta nos dentes, e faz um tipo de "pequena
explosão", é como se você segurasse o ar um tempo, e soltasse tudo de uma
vez. O T, por esse motivo, é classificado como oclusivo ou plosivo (por causa
dessa explosão) e dental (porque a língua encosta na parte de trás dos dentes
superiores). Não parece fazer sentido o uso do T nesses versos? Como se o ar
não passasse tão facilmente na pronúncia, como se em cada pequena explosão,
tivesse um retardamento.
Esses recursos
sonoros constituem recursos tradicionais da poesia metrificada. Psicólogos
defendem que a leitura é acompanhada de um esboço de fonação e audição, de tal
forma que nós representamos mentalmente o efeito visado pelo poeta.
No poema Pesadelo, de Eugênio de Castro, apresentado abaixo, há uma quantidade de rimas muito grande, com assonâncias, aliterações, acumuladas quase de forma delirante, para sugerir a atmosfera e as sensações do sonho. Veja:
No poema Pesadelo, de Eugênio de Castro, apresentado abaixo, há uma quantidade de rimas muito grande, com assonâncias, aliterações, acumuladas quase de forma delirante, para sugerir a atmosfera e as sensações do sonho. Veja:
Na messe que enloirece estremece a quermesse,
O sol, o celestial girassol, esmorece
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos.
O sol, o celestial girassol, esmorece
E as cantilenas de serenos sons amenos
Fogem fluidas, fluindo a fina flor dos fenos.
Bom... mas nem
todos pensam assim. Existe um linguista, chamado Saussure que acredita que não
há nada no som das palavras que o ligue ao objeto. Por exemplo:
Não há nada nas letras m-a-r, juntas, que nos remetam à ideia de uma grande quantidade de água, com ondas, etc. Poderia de chamar de qualquer outra forma...é apenas uma convenção social. Outro exemplo muito bom é das onomatopeias. No Brasil, representamos o latido do cachorro como "au au", mas em outras línguas é representado como "arf arf" ou "woof woof", e o animal emite o mesmo som em todos os países. Para Saussure, o som não corresponde ao conceito. Logo, a expressividade do som se sustenta dificilmente.
Não há nada nas letras m-a-r, juntas, que nos remetam à ideia de uma grande quantidade de água, com ondas, etc. Poderia de chamar de qualquer outra forma...é apenas uma convenção social. Outro exemplo muito bom é das onomatopeias. No Brasil, representamos o latido do cachorro como "au au", mas em outras línguas é representado como "arf arf" ou "woof woof", e o animal emite o mesmo som em todos os países. Para Saussure, o som não corresponde ao conceito. Logo, a expressividade do som se sustenta dificilmente.
É uma boa
teoria. Mas, os poetas usam constantemente esse recurso e possuem resultados
positivos. Dámaso Alonso, poeta, acredita no oposto: que um som mobiliza
inúmeras áreas da rede psíquica do ouvinte.
Os fonemas podem carregar uma expressividade (retardamento do tempo, alegria, obscuridade, etc), mas pra isso acontecer de forma total, é preciso um contexto, cujo acúmulo e combinação definem o rumo geral da expressividade.
Os fonemas podem carregar uma expressividade (retardamento do tempo, alegria, obscuridade, etc), mas pra isso acontecer de forma total, é preciso um contexto, cujo acúmulo e combinação definem o rumo geral da expressividade.
A rima, tem
como principal função criar recorrência do som de modo marcante, estabelecendo
uma sonoridade contínua e perceptível no poema. O ritmo, por sua vez, é uma
forma de combinar sonoridades. É a alternância de sons breves e longos, graves
e agudos, fortes e fracos, som e silêncio.
No ritmo, o importante não é cada fonema, cada som específico, e sim, o
conjunto de todos os sons, os efeitos que provocam, etc.
Aos poucos,
irei postando mais coisas sobre o verso poético, figuras de linguagem, etc.
Iâmbica
T1) "Ó clazomênios, Búpalo matou [...]"
comentário: Lembram da estorinha sobre o Arquíloco e o Licambes? Pois é...aqui é a mesma coisa. Hipônax era um homem muito feio, e não queria ser retratado por ninguém, de forma alguma. Daí, Búpalo era um escultor...fez uma escultura dele, provocou raiva, etc.
Hipônax então diz que ele matou (não se sabe o que, ou quem...), mostrando que é vicioso.
T2) "Búpalo, o fode-mãe, com Arete,
enganando com tais palavras os filhos dos Eritreus,
[...] e pronto para fazer sair seu odioso prepúcio [...]"
comentário: Búpalo aqui é retratado como incestuoso. Arete significa "virtude", é como uma contradição, porque "aquela que é a virtude", passa a ser o vício de Búpalo e aquela que comete uma ação viciosa. De novo temos o tema sexual.
T3) "Do balde,
bebiam. Ora ele, ora Arete
brindava."
comentário: outro vício relacionado ao Búpalo, ele bebe demais. O balde traz a ideia de uma quantidade exagerada de bebida.
T4) "Com a garça favorável, eu, ao ir
Para Arete no escuro, acampei"
comentário: Aqui, temos uma paródia de Homero. Na Ilíada, quando os guerreiros vão investigar o campo adversário, no escuro, diz-se que "vão com a garça favorável". É uma paródia do "caminhar noturno", dando um contexto sexual. E o "acampar", traz a ideia de sexo mesmo.
T5) "Hermes, caro Hermes, filhore de Maia, Cilênio,
suplico-te, pois estou terrivelmente com muito frio
e meus dentes estão batendo [...]
Dá um manto a Hipônax, e uma tunicazinha,
e sandaliazinhas, pantufinhas, e sessenta estáteres
de ouro do outro lado"
comentário: O poeta, de novo é retratado como pobre. E percebam que o poema é feito em forma de prece, como um hino; tem a invocação do deus e um pedido. Mas, ele não está louvando o Deus, é como se ele estivesse fazendo uma paródia de um gênero elevado (o hino), porque ele chama o deus de "filhote" e fala várias palavras com diminutivo (pantufazinha, tunicazinha).
comentário: Lembram da estorinha sobre o Arquíloco e o Licambes? Pois é...aqui é a mesma coisa. Hipônax era um homem muito feio, e não queria ser retratado por ninguém, de forma alguma. Daí, Búpalo era um escultor...fez uma escultura dele, provocou raiva, etc.
Hipônax então diz que ele matou (não se sabe o que, ou quem...), mostrando que é vicioso.
T2) "Búpalo, o fode-mãe, com Arete,
enganando com tais palavras os filhos dos Eritreus,
[...] e pronto para fazer sair seu odioso prepúcio [...]"
comentário: Búpalo aqui é retratado como incestuoso. Arete significa "virtude", é como uma contradição, porque "aquela que é a virtude", passa a ser o vício de Búpalo e aquela que comete uma ação viciosa. De novo temos o tema sexual.
T3) "Do balde,
bebiam. Ora ele, ora Arete
brindava."
comentário: outro vício relacionado ao Búpalo, ele bebe demais. O balde traz a ideia de uma quantidade exagerada de bebida.
T4) "Com a garça favorável, eu, ao ir
Para Arete no escuro, acampei"
comentário: Aqui, temos uma paródia de Homero. Na Ilíada, quando os guerreiros vão investigar o campo adversário, no escuro, diz-se que "vão com a garça favorável". É uma paródia do "caminhar noturno", dando um contexto sexual. E o "acampar", traz a ideia de sexo mesmo.
T5) "Hermes, caro Hermes, filhore de Maia, Cilênio,
suplico-te, pois estou terrivelmente com muito frio
e meus dentes estão batendo [...]
Dá um manto a Hipônax, e uma tunicazinha,
e sandaliazinhas, pantufinhas, e sessenta estáteres
de ouro do outro lado"
comentário: O poeta, de novo é retratado como pobre. E percebam que o poema é feito em forma de prece, como um hino; tem a invocação do deus e um pedido. Mas, ele não está louvando o Deus, é como se ele estivesse fazendo uma paródia de um gênero elevado (o hino), porque ele chama o deus de "filhote" e fala várias palavras com diminutivo (pantufazinha, tunicazinha).
quinta-feira, 16 de maio de 2013
Trechos da iâmbica
Ok... então hoje vamos voltar ao assunto da poesia iâmbica, com mais trechos, sexo, violência e tudo aquilo típico desse gênero.
T1) "ai ai, ela está passada, tem o dobro da tua idade,
a flor virginal murchou,
e a graça que antes tinha;
Pois a insaciabilidade não
[...] revelou, a enfurecida mulher"
comentário : 1º - esse colchete que coloquei, não é censura não. É porque, como eu já disse, faz parte de uma parte não legível do poema.
Esse trecho mostra pra gente um lugar comum entre os poetas, que é o "retratar da velha", retratar a velha como viciosa, etc. Vemos uma mulher, que não se sacia sexualmente. Mas ao mesmo tempo, ela não desperta desejo, por ser flácida, enrugada, e tudo mais. E por não despertar desejo, e assim, não ter seu apetite sexual saciado, ela fica enfurecida.
T2) Agora, vamos ver como Arquíloco era visto por outros poetas, em três trechos:
"É preciso que eu
evite a maledicência da mordida profunda.
Pois vi, estando bem longe, o vituperador
Arquíloco, na penúria, alegrando-se com ódios
de palavras pesadas"
(Píndaro)
comentário: Píndaro ficou conhecido por seus epinícios. Era um poeta mélico, portanto. Faz um poesia de louvor. A "mordida" citada no segundo verso, é comum para se referir aos poetas iâmbicos, porque traz a ideia da mordida do cachorro. Esse "estando bem longe", não quer dizer que ele está observando Arquíloco de longe. Está se referindo ao tempo mesmo, eles são de épocas diferentes, Píndaro é posterior. Ao dizer "na penúria", retoma-se aquela ideia da caracterização do poeta iâmbico como pobre, marginal.
"Tinha do cão a amarga bile, o agudo aguilhão
da vespa e, na boca, o veneno de ambos"
(Calímaco)
comentário: de novo, o poeta iâmbico é comparado ao cão. E também à vespa, que machuca, fere.
"Assim, segundo a opinião de Aristarco, dos três escritores de iambos em voga, só Arquíloco será de fato pertinente para a formação do orador. Nele há a maior força de elocução, não só as máximas são robustas mas também breves e vibrantes, dotadas de sangue e nervos, e o fato de parecer a alguns menor do que alguém é um vício da matéria e não do engenho"
(Quintiliano)
comentário: Então... aqui, Arquíloco é tomado como um exemplo para o orador. Um exemplo para o orador que tem como objetivo atacar o adversário, falar com força, etc. Arquíloco é o exemplo para esse tipo de discurso, dotado de violência e raiva (sangue e nervos). É interessante o final dessa trecho, quando ele diz que é um vício da matéria e não do engenho...ou seja, Arquíloco não é menor por falar sobre matérias baixas como sexo, fezes, palavras baixas, etc. Ele é modelar falando sobre o que fala. A matéria que sobre a qual ele fala é baixa, mas ele é o melhor fazendo isso, ele é engenhoso.
T1) "ai ai, ela está passada, tem o dobro da tua idade,
a flor virginal murchou,
e a graça que antes tinha;
Pois a insaciabilidade não
[...] revelou, a enfurecida mulher"
comentário : 1º - esse colchete que coloquei, não é censura não. É porque, como eu já disse, faz parte de uma parte não legível do poema.
Esse trecho mostra pra gente um lugar comum entre os poetas, que é o "retratar da velha", retratar a velha como viciosa, etc. Vemos uma mulher, que não se sacia sexualmente. Mas ao mesmo tempo, ela não desperta desejo, por ser flácida, enrugada, e tudo mais. E por não despertar desejo, e assim, não ter seu apetite sexual saciado, ela fica enfurecida.
T2) Agora, vamos ver como Arquíloco era visto por outros poetas, em três trechos:
"É preciso que eu
evite a maledicência da mordida profunda.
Pois vi, estando bem longe, o vituperador
Arquíloco, na penúria, alegrando-se com ódios
de palavras pesadas"
(Píndaro)
comentário: Píndaro ficou conhecido por seus epinícios. Era um poeta mélico, portanto. Faz um poesia de louvor. A "mordida" citada no segundo verso, é comum para se referir aos poetas iâmbicos, porque traz a ideia da mordida do cachorro. Esse "estando bem longe", não quer dizer que ele está observando Arquíloco de longe. Está se referindo ao tempo mesmo, eles são de épocas diferentes, Píndaro é posterior. Ao dizer "na penúria", retoma-se aquela ideia da caracterização do poeta iâmbico como pobre, marginal.
"Tinha do cão a amarga bile, o agudo aguilhão
da vespa e, na boca, o veneno de ambos"
(Calímaco)
comentário: de novo, o poeta iâmbico é comparado ao cão. E também à vespa, que machuca, fere.
"Assim, segundo a opinião de Aristarco, dos três escritores de iambos em voga, só Arquíloco será de fato pertinente para a formação do orador. Nele há a maior força de elocução, não só as máximas são robustas mas também breves e vibrantes, dotadas de sangue e nervos, e o fato de parecer a alguns menor do que alguém é um vício da matéria e não do engenho"
(Quintiliano)
comentário: Então... aqui, Arquíloco é tomado como um exemplo para o orador. Um exemplo para o orador que tem como objetivo atacar o adversário, falar com força, etc. Arquíloco é o exemplo para esse tipo de discurso, dotado de violência e raiva (sangue e nervos). É interessante o final dessa trecho, quando ele diz que é um vício da matéria e não do engenho...ou seja, Arquíloco não é menor por falar sobre matérias baixas como sexo, fezes, palavras baixas, etc. Ele é modelar falando sobre o que fala. A matéria que sobre a qual ele fala é baixa, mas ele é o melhor fazendo isso, ele é engenhoso.
terça-feira, 14 de maio de 2013
A elegíaca, lírica e o foco na iâmbica
Vou começar esse post citando algumas diferenças de três gêneros não abordados na Poética de Aristóteles com profundidade, para então iniciar uma análise da poesia iâmbica.
poesia elegíaca : escrita em dístico elegíaco, que é um hexâmetro seguido por pentâmetro. A épica é escrita em hexâmetro datílico, então, a poesia elegíaca deriva da épica. A única diferença do dístico para o hexâmetro, é que existe um pé a menos (o pé é aquilo que marca o ritmo), até Ovídio mostra a relação dos dois gêneros ao dizer: "Me preparei pra cantar as armas, veio o cupido e roubou um pé".
Novamente, cantar as armas tem relação com a poesia épica. A elegia é a poesia do lamento, sobretudo, do amor. A elegia é narrativa, usa a palavra como modo. É, na maior parte das vezes, um narrativo simples (não tem alternância da fala do narrador com a dos personagens. Só o narrador fala.). E o gênero de elocução é médio.
poesia lírica: canta os deuses, os filhos dos deuses, o vinho, pugilato e os cuidados. A lírica não tem um metro específico como a épica, que é característica pelo hexâmetro datílico. Ela é muito complexa, por exemplo: existem subdivisões dentro de cada uma dessas subdivisões de hino, epinício, etc. Então, existe o hino a Apolo, que tem um metro próprio, com ritmo próprio, dança própria. É narrativa simples. Para os românticos, é conhecida como a poesia do "eu". O termo "lírico" surge no helenismo, a partir do séc III aC, porque antes disso, eram chamada poesia mélica. Exemplos de grandes poetas líricos são Safo e Anacreonte.
Agora vou falar com um pouco mais de detalhes da poesia Iâmbica. Esse tipo de poesia tem como característica marcante, o iambo (que é um pé, ou seja, marca o ritmo). Essa poesia se associa à fala do dia a dia, cotidiana, então, é uma poesia baixa (na épica por exemplo, havia aquela valorização da escolha das palavras, o ornato, o corte de palavras, abreviações, para distanciar, justamente, da fala vulgar e cotidiana). As próprias palavras usadas são baixas, como veremos daqui a pouco. Essa poesia, como eu já disse na outra postagem, é motivada pela raiva. O meio é o simples verbo (não há ritmo, harmonia). O narrador, na maioria das vezes, não dá a palavra para o personagem como acontece na Odisseia, Ilíada, Eneida... nas quais a narrativa é mista, ou seja, há alternância. E o objeto são homens inferiores a nós. Bom, nem sempre há a possibilidade de estudar poemas inteiros, já que há a degradação pelo tempo, o desaparecimento de determinadas partes, etc. Então, nem tudo que postarei estará completo, porém, é possível fazer análises e entender do que se trata esse tipo de poesia e algumas características marcantes:
T1) "Não me importam de Giges seus tesouros,
nem me tomou inveja nem admiro
divas obras e o grande tirano não amo;
pois muito longe estão dos meus olhos."
comentário: o poeta se caracteriza como pobre. Isso tem relação com o tipo da poesia (fala cotidiana, a falta de uso de recursos para elevar a poesia, etc). Podemos perceber também uma crítica moral e política: o rei tem poder demais, ele faz um confronto dele com o tirano: um, é poderoso, rico, o outro é humilde, pobre.
T2) "e o caralho dele,
como o de um asno prieneu,
reprodutor, comedor de milho, encheu-se,"
comentário: Esse trecho é excelente pra evidenciar a baixeza de vocabulário. Tomado pela raiva, o eu lírico não diz "o membro sexual masculino", e sim, "caralho". A comparação com animais é frequente: você rebaixa a pessoa comparando-a com o caráter dos animais. Então, ao falar de mau cheiro há animais específicos, assim como para astúcia, etc. O asno por exemplo, é tomado como um animal de membro sexual imenso, ou seja, a crítica está em dizer que o homem criticado é luxurioso, vicioso, ele é o próprio membro, nada além disso. Esses temas sexuais são muito frequentes na poesia iâmbica. E dá pra supor o motivo disso pela própria história de sua origem:
Iambe era um escrava (já podemos ver aqui a origem humilde), que ajudou a divertir uma deusa que estava aos prantos porque não encontrava a filha. Iambe então, começa a fazer gracejos, mostra as partes íntimas, se toca, tentando fazer a deusa se divertir e rir. Então, as palavras de baixo calão, são usadas para proporcionar o riso, diversão.
T3) "havia muita espuma ao redor da boca"
comentário: aqui, existe um exemplo de felação (que segundo o dicionário é: s.f. Gozo sexual provocado pela sucção; coito bucal). E existiam práticas sexuais, principalmente, que eram praticadas só por escravos, mulheres, então, retratar isso sendo feito por um homem não escravo era um forma de rebaixá-lo. Novamente insisto que muitos poemas e partes de poemas foram perdidos ou degradados. Esse verso por exemplo não está composto em um contexto, não há evidências que mostrem que era um homem. Porém pelo tipo de poesia e seu objetivo, pode-se entender que não estava retratando o ato feito por uma mulher e um escravo. Provavelmente realmente está dizendo que o ato foi feito por um homem, com a intenção de manchar sua imagem.
T4) "Pai Licambes, que é isto que pensaste?
Quem perturbou teus pensamentos,
em que outrora te apoiavas? E agora pareces
ser motivo de muito riso aos cidadãos.
violaste grande juramento,
o sal e a mesa.
Esta é uma fábula dos homens:
como uma raposa e uma águia em comunidade
se uniram."
comentário: eu já contei antes a estória de Licambes, sua filha Neobula, o pacto que Licambes fez com Arquíloco para dar-lhe a mão de sua filha, o rompimento do pacto, a ira de Arquíloco refletida em seu poema e a morte do esperado sogro e suas filhas. Nesse trecho, vemos o uso de ironia em "Pai Licambes". É como se Arquíloco estivesse dizendo "era pra você ser meu sogro, meu pai também... mas você rompeu o pacto, lembra?". Ele diz que Licambes agora é motivo de riso entre os cidadãos, isso porque faltou com sua palavra, faltou com um pacto feito durante a mesa, enquanto comiam. Aqui, também são citados animais, e até uma fábula. A raposa representa o animal traiçoeiro, e a águia, um animal elevado. Agora, eu retomo algo que já disse no post anterior, mas que considero relevante também citar agora:
Aristóteles disse na Poética que a poesia iâmbica não era universal e fictícia como a comédia. Porém ao analisar o significado dos nomes vemos que, talvez, não seja tão particular, e pode sim se referir a uma ideia, a algo universal: Licambes significa "passo do lobo" (relaciona-se com a raposa da fábula, astuta). E Neobula significa "novo desejo".
Para os antigos, o instabilidade como característica da mulher é um ponto comum entre os autores. Isso é bem exemplificado no nascimento de Vênus, que ocorre onde? No mar, que é instável, muda o tempo todo de acordo com os ventos.
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