sábado, 8 de junho de 2013

epodo 11 Horácio

Nada me agrada, caro Pétio, como Dantes,
versinhos escrever, por violento amor ferido;
amor que a mim me solicita, mais que a todos,
p'ra envolver-me em chamas por delicado moço a moça.
Três dezembros se foram - desde que deixei
de endoidar por Ináquia - a despojar do bosque o adorno.
Ai, quando fui (pois mal tamanho me envergonha)
pela cidade assunto, e me arrependo dos banquetes
em que minha molícia e silêncio e suspiros
tirados do imo peito denunciaram a mim amante.
"De nada vale contra a riqueza o carácter
inocente de um pobre", chorando, a ti me lamentava,
ao passo que impudente deus, ao me aquecer
com mais ardente vinho, os meus arcanos arrancou.
"Pois se a bile ferver, livre, em minhas entranhas,
porque aos ventos disperse estes não gratos lenitivos,
que funesta ferida nada suavizam,
deixará de lutar com desiguais, expulso, o pejo".
Quando, austero, louvara isto defronte a ti,
mandado a ir à casa, era levado por pé incerto,
ai, para portas não amigas, ai, e para
limiar resistente em que quebrei o flanco e o lombo.
Agora me detém o amorio de Licisco,
que em doçura se gaba de superar qualquer mulher;
dele não podem me livrar os mais sinceros
conselhos dos amigos nem as pesadas contumélias,
mas outro ardor ou por menina radiante
ou por bem torneado moço que solta longa coma.

comentário: Então, ele amava Ináquia, mas era um amor secreto...e ele acabou contando tudo quando ficou bêbado. Ela preferiu um homem rico. Ele chegou a dormir na porta da moça, e até quebrou uns ossos (puro exagero, claro... ele falou isso pra provocar risos). Depois, o poeta começou um amor com Licisco. Disse que só o deixaria por moça radiante ou homem bem torneado.
Detalhe: quando ele fala que virou assunto na cidade, a gente tem de novo aquela ideia da poesia que imortaliza (mas no caso, de forma negativa). 



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