quarta-feira, 8 de maio de 2013

Odisseia canto 8 resumido

Canto 8 da Odisseia: resumo
Odisseu escapa da tempestade, adormece na floresta e encontra Nausícaa (filha do rei Alcínoo) e suas escravas. Elas o levam para a terra dos feácios, reino de Alcínoo. Lá, Odisseu ouve o aedo Demódoco, cego (canta aquilo que não viu nem poderia ter visto, até porque é cego, é inspirado pela Musa).


1º canto: o aedo canta a contenda de odisseu e aquiles. É um canto elevado.
os feácios dão início aos jogos. Odisseu primeiramente não deseja participar, porque em seu peito existem muitas tristezas provocadas pelos problemas e desvios que tem passado para chegar à patria. Mas euríalo o desafia, dizendo que não parece homem que entenda de jogos. Que mais se assemelha a um que apenas vaga em busca de lucro. Odisseu retruca dizendo que alguns são parecidos com os deuses na aparência, mas que são desprovidos da eloquência, da destreza do discurso, do intelecto. Odisseu então joga e supera a marca dos outros jogadores.


2º canto: o aedo conta os amores de ares e afrodite. Ela trai o marido Hefesto, que é um ferreiro, enquanto ele trabalha. Ao descobrir, ele faz uma armadilha, e prende Ares em correntes. Os deuses observam a cena, e acham cômico, e Hefesto se lamenta, dizendo que foi desonrado por ser coxo.
*Na Ilíada , Tersites também é coxo e faz cena cômica


3º canto: o aedo canta sobre o cavalo de troia. Narra que pensaram em destruir o cavalo, e que depois decidiram colocá-lo para dentro da cidade. Fala sobre os saques, etc. Odisseu se derreteu em lágrimas, o que levou Alcínoo a questionar sua origem. Odisseu chora porque se reconhece. Lembram que citei sobre o reconhecimento? É quando o personagem reconhece a si próprio, ou outro lhe reconhece.

*O primeiro e o terceiro cantos se dão no interior do palácio. E são sobre feitos heróicos, são cantos elevados. O segundo canto por sua vez, se dá fora do palácio, é um canto cômico, baixo. O que leva a crer que é uma interpolação. 

O que é uma interpolação? Interpolação é quando uma parte não original é inserida no texto original. É como se você escrevesse alguma coisa, colocasse no meio da Odisseia e dissesse "isso aqui é Homero". Isso acontece porque aconteceu o seguinte: 

Homero é do período arcaico...lá pelo séc VIII aC. Era, como eu já disse, um período de cultura oral, em que não havia a organização em livros, etc. Quando surge o Alexandre, o grande, faz-se a biblioteca de Alexandria, e aí... pronto... pra classificar precisa de gêneros né. Daí, surge a teoria dos gêneros...em que havia uma certa regrinha explicando o que um texto, poesia, etc precisava pra ser lírico, épico, dramático. E aí, existiam poetas bibliotecários filólogos que organizavam esses manuscritos. Mas eles não organizavam simplesmente.... eles editavam também. Então, eles liam e pensavam "isso não é Homero", e cortavam. Aí, eles também escreviam, e  colocavam no meio da poesia. Então, às vezes existem algumas características em certos cantos, que nos fazem crer que certas passagens, ou mesmo cantos inteiros, são interpolações. 

Odisseia canto 5 resumido

Canto 5 da Odisseia: resumo
Os pretendentes descobrem a viagem de Telêmaco e planejam uma emboscada, pois temem a volta de Odisseu, e as suas próprias vidas. Zeus diz para Atena guiar Telêmaco e envia Hermes ao encontro de Calipso. Nesse momento, ele passa por um lugar arborizado, muito belo, com flores, água (locus amoenus), e fica admirado. 

Aqui existe uma metapoética. O que é isso? Quando Hermes vai encontrar Calipso, ele para num local muito bonito e descansa. E quando ele vê esse local, o autor descreve a paisagem. A descrição é vista como "um repouso da narração", é como se o autor tivesse dando um tempo pro leitor respirar, e pra ele mesmo relaxar um pouco. Então, a gente repousa assim como o personagem repousa. Essa descrição é chamada ekphrasis, e ocorre no canto 18 da Ilíada também, na descrição do escudo de Aquiles. É um recurso para dar mais ferramentas para o entendimento. 

No primeiro momento, Calipso se irrita, diz que os deuses são invejosos, que não permitem a união no leito de uma deusa com um mortal. Diz que assim como Zeus a separa de Odisseu, já o fez com Jasão e Deméter. Mas sabe que é impossível ir contra a vontade de Zeus, e diz que permite a volta de Odisseu, apesar de não ajudá-lo nos preparativos (mas concorda em dar conselhos para privá-lo dos perigos). Quando recebe a notícia, Odisseu fica receoso, e diz que só partirá se a deusa quiser e prometer não lhe fazer mal. Ela tenta convencê-lo a ficar, dizendo que muitos males o aguardam, e que é superior do que Penélope nas formas... mas ele não se convence. 
Odisseu parte. Posido causa uma forte tempestade (e o nome dos ventos que ocorrem durante a tempestade são os mesmo que os d'Os Lusíadas, porque há a ideia da mimésis: "copiar" autores anteriores, e tentar fazer uma poesia mais elevada. O objetivo é ser o melhor dos autores.) . Odisseu faz o discurso da bela morte: preferia morrer na guerra para obter a glória em vez de morrer longe da vista das pessoas, isolado. Leucoteia o avista, e lhe dá um véu para transpassar por baixo do peito, para lhe proteger dos males. Odisseu tem medo que seja mais uma emboscada dos deuses, e pensa consigo que não seguirá o conselho enquanto as tábuas de sua embarcação o suportarem. O vento espalha as tábuas e odisseu usa o véu.

Odisseia canto 1 resumido

Canto 1 da Odisseia: resumo
nesse canto, há a assembleia dos deuses, em que eles decidirão o futuro de Odisseu. Zeus diz que os homens muitas vezes culpam a eles pelas desgraças de suas vidas, mas relembra o episodio de Egisto e Agamémnone: Egisto era amante da esposa de Agamemnone, e juntos planejaram sua morte. Hermes avisou para Egisto abandonar o plano, pois a vingança viria de Orestes. Ele não deu ouvidos.
Atena, no entanto, diz que apesar de muitos homens merecem os sofrimentos decorrentes de suas ações, Odisseu não os merece, já que sempre cumpriu seus deveres com os deuses. Fica decidido que Odisseu voltará para a pátria, mesmo que Posido, que teve o filho ferido, seja contra.
Atena vai ao encontro de Telêmaco, na figura de Mentes, para lhe convencer a ir em busca de notícias do pai. Telêmaco mostra sua insatisfação com os pretendentes, diz que isso logo acabaria se seu pai voltasse, já que aguçaria o medo nos homens rudes. Diz que não tem esperanças da volta de seu pai. Mentes lhe avisa que soube que Odisseu se encontra vivo, e que pensa no regresso. Diz que deve conversar com Nestor (Pilo) e Menelau (esparta) em busca de novas do pai. Palas desaparece como pássaro.
Todos ouvem o aedo Fêmio, que canta um nóstos (canto de regresso), é uma poesia elevada, de feitos heróicos (retorno de Troia dos Aquivos). Penélope desce dos aposentos e pede para que Fêmio cante outros grandes feitos, e não esses que lhe afligem. Telêmaco diz que volte para o quarto, e afirma que o aedo de nada tem culpa, ele apenas relata os feitos. Quem tem culpa dos acontecimentos são os deuses.

Proposições: Ilíada vs Odisseia


Na Ilíada, o nome de Aquiles é mencionado mais de uma vez, logo nos primeiros versos. Isso é adequado com relação ao personagem, já que ele é o mais corajoso dos aqueus. Aquiles é o herói da força, aquele que enfrenta os desafios de frente, sem camuflagem. Já na Odisseia, o nome de Odisseu aparece só no final da página. Como eu disse anteriormente, Odisseu é denominado como "o varão astucioso", essa forma de denominá-lo, é chamada perífrase. A perífrase é uma forma oblíqua de denominar os personagens (uma forma que não diz diretamente), assim como Odisseu não é direto, assim como Odisseu dá voltas nas pessoas, dá voltas em seus inimigos, assim como ele se camufla ao chegar em seu palácio com medo de morrer como aconteceu com Agamemnone, assim como ele dá voltas até chegar em sua pátria. Podemos ver então, que há uma adequação dos personagens com a forma com que são apresentados no texto. O próprio texto retrata as principais característica de seus protagonistas. A adequação, é um dos pontos que Aristóteles diz serem relevantes na hora da escrita.

Odisseia, o polytropos e mais detalhes

Vou falar sobre especificidades da Odisseia então, já que foi possível ter uma ideia do que é uma epopeia, suas principais características, etc. Lembro que minha análise será feita seguindo a leitura da Odisseia traduzida pelo Carlos Alberto Nunes, na edição de 2011. A Ilíada é sim anterior à Odisseia, mas eu gosto bem mais da Odisseia, e ela possui pontos bem mais relevantes de análise, etc. Mas depois daremos enfoque na Ilíada também, faremos alguns comentários e compararemos personagens.

  • Canto 1:

A Odisseia, como eu disse anteriormente, trata do retorno do varão Odisseu. É importante saber que Odisseu é conhecido como um homem astucioso, é o herói do verbo, aquele que convence as pessoas com seus discursos.  Em latim, Odisseu é caracterizado como POLYTROPOS. E essa palavra é muito interessante...dá margem pra uma boa análise:
Polytropos: muitas voltas.

1º interpretação: Odisseu é polytropos, porque é capaz de dar "a volta" nas pessoas, de se livrar de problemas, ou de conseguir o que quer pelo poder da palavra, do discurso.

2º interpretação: odisseu passa por muitas voltas antes de ir pra casa (como quando fica preso por Calipso, ou quando passa pela tempestade, quando vai para o palácio dos feácios, quando quase é morto pelo Polifemo, etc).

Então, esse polytropos, dá margem tanto pra caracterizar o próprio Odisseu, quanto pra caracterizar aquilo pelo que ele passa enquanto tenta regressar.

Homero invoca a Musa. Ela é importante porque é através dela que ficamos sabendo aquilo que o autor não viu nem poderia ter visto. Em uma postagem anterior, foi dito que o autor parece estar a par de tudo que aconteceu, como se realmente tivesse presenciado. Então, tudo bem, ele até pode ter visto, o Odisseu lá na terra dos feácios conversando com o rei Alcínoo e tudo mais, só que seria impossível ele saber o que se passava no Olimpo, e o que os deuses conversavam, por isso, a Musa é essencial).

Na página 35, aparece a palavra aedo. Um aedo, é um homem que canta a poesia (porque nessa época ainda não havia a ideia de de escrever a poesia, era tudo cantado pelos aedos). O aedo é quem imortalizava os feitos dos homens.
A Odisseia, é um Nostos (um canto de regresso) e a Ilíada é uma erga (canto de feitos, guerra).

Isso é o mais relevante, em quesito de análise, do canto 1.


Prosa vs poesia

Mas enfim... qual a diferença entre prosa e poesia? 

 Eu vou procurar responder isso baseada no texto do Mario Faustino: poesia - experiência. A poesia se trata, antes de tudo, de uma maneira de ser da literatura, ou seja, uma forma de exprimir percepções através de palavras, organizando estas em padrões lógicos, musicais e visuais.
A distinção mais comum entra as duas é a formal. A grande maioria responde "uma é em versos a outra em prosa (parágrafos, etc)". E não está errado. Mas vai além disso. A poesia, de certa forma, possui mais ritmo, tem linguagem mais concentrada, e o metro em poesia é mais fácil de identificar e mais preciso. A linguagem poética é criação, e a prosaica, comunicação.

Esse trecho é interessante: "Quem usa a linguagem poética fá-lo para conhecer o universo, nomeando-o, recriando-o, e para, em seguida, doar, expor, essa criação aos outros homens como um escultor oferece sua estátua e o músico sua música. Quem usa de linguagem prosaica conhece o universo através de comentários, da utilização de palavras já criadas e relativamente substituíveis".


Hume: padrão do gosto/ Mario Faustino- poesia experiência

As pessoas diferem sobre o mesmo assunto, porque possuem acepções diferentes, tem sentimentos diferentes despertados por um mesmo objeto. E mesmo quando um objeto está estruturado para destinar prazer, não se pode afirmar que o prazer será sentido de forma igual em todas as pessoas. A beleza não existe em coisa alguma, quem as observa é que lhe dá essa propriedade em diferentes níveis. Mas existem situações, em que a opinião é comum a todos, por exemplo: ao comparar o Everest com um montinho de areia, não está mais em questão a opinião particular do indivíduo, se trata de um fato: o Everest é mais alto.
Alguns textos, devido à estruturação, estão destinadas a agradar e outras, não. Quando se verificar uma uniformidade completa nas opiniões dos homens, pode-se ter uma ideia de perfeita beleza. Existem certas qualidades dos objetos que estão destinadas a gerar determinados sentimentos, dependendo do grau em que aparecem não são captadas pelo sentido. Quando existe uma percepção alta para distinguir os ingredientes de composição, diz-se que existe uma delicadeza de gosto. Na expressão poética, a linguagem se clarifica, enriquece, se torna elástica e precisa.
Alguns possuem uma certa reputação, que gera nos outros uma ideia de superioridade, conhecimento, e muitas vezes sua opinião é levada em conta. Mas, quando o mau crítico não quer se submeter à classificação de outra pessoa, ao mostrar-lhe os princípios e recursos usados que não foram percebidos por seu sentido, ele reconhecerá, provavelmente, seu defeito. A composição, os recursos, são importantes para classificar os textos. A prova concreta, muitas vezes é muito mais convincente do que uma opinião, do que a fala, porque aquela apresenta os fatos, não exige compatibilidade dos interlocutores, nem nada emocional, são fatos. E para ter uma percepção melhor desses ingredientes , nada melhor do que a experiência. No começo, pode ser confuso e não legível, mas com o tempo perceberá as belezas e defeitos de cada parte, fará aprovação ou censura. Com a experiência, tem-se a capacidade de fazer comparações, conhecer níveis diversos de técnicas, e melhor avaliar o valor de um objeto.  O fazer poético, não deve ser visto como algo árduo e trabalhoso, tedioso, mas também não deve ser considerado banal. O fazer poético é "doce e útil". O poeta não deve ser colocado num pedestal, mas não deve-se deixar de distingui-lo.
O crítico deve estar acima de qualquer tipo de preconceito porque ele se fecha para sua opinião particular, não se coloca naquele ponto de vista suposto pela obra. Uma obra deve ser classificada como mais ou menos perfeita de acordo com a sua eficiência em atingir seu objetivo.  Só o bom senso ligado à delicadeza do sentimento, aperfeiçoado pela prática e comparação, livre do preconceito dá valiosa personalidade aos críticos. O poeta, ao analisar o social, universal, precisa disciplinar seus mecanismos de raciocínio de forma que se torne objetivo, imparcial, pois existe uma escala de valores e julgamentos que não devem ser realizados sem um preparo especial.  As pessoas preferem aquilo que se assemelhe ao que vivem no momento,o que se assemelhe a inclinações pessoais (um garoto apaixonado estará mais inclinado para textos de romances). Alem disso, agrada mais ler sobre o que  faz parte do nosso tempo, ou que não é muito distante dele, coisas muito distantes não proporcionam uma sensibilidade tao grande (aceitar costumes de épocas muito antigas). Essas particularidades devem ser aceitas, quem ficar chocado dará provas de falta de delicadeza e finura. O poeta melhora o leitor, mas também melhora a si mesmo nesse processo, ele se liberta, se afirma, concentra. É um processo ininterrupto de aperfeiçoamento.
A poesia age sobre o povo, como um comício, um discurso, Os lusíadas contribuíram para o fortalecimento da nacionalidade portuguesa, a Divina Comédia foi importante na luta do papado e as cidades livres da Itália. A poesia testemunha a cidade, registra suas diversas fases de expansão, evolução. A grande poesia contribui para criar um clima político, instigar mudança, formulação de ideias, etc. Assim, para criar uma poesia que corresponde à atualidade, um poeta precisa estar por dentro da sociologia, filosofia, economia, história, etc. É um todo que justifica a parte. Há quem prefira poesia passiva, embaladora, inofensiva. Porém, e poesia deve ser vista como uma forma de explicitar o que ocorre ao nosso redor, e como uma forma alternativa e diferente das pessoas entenderem a atualidade. Porque ao pesquisar sobre cada elemento usado pelo poeta, o motivo daquele uso, a relação com a atualidade e a história, a pessoa adquire conhecimento, e aos poucos forma um senso crítico sobre aquilo que acontece.